É em cima de orgulho, insegurança e suposições que se constrói...
se constrói...
ah, é. Nada.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Grito ao vento
Quero ver ter coragem de dizer na minha cara
que me faço de vítima
que não tenho peito para dar um basta.
Um dia ainda vai saber
que quando é preciso falar
não uso joguetes
não maquio palavras
eu grito na cara.
que me faço de vítima
que não tenho peito para dar um basta.
Um dia ainda vai saber
que quando é preciso falar
não uso joguetes
não maquio palavras
eu grito na cara.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Livro novo, vida nova
"Apreciados como neste momento é possível, apenas de relance, os olhos do homem parecem sãos, a íris apresenta-se nítida, luminosa, a esclerótica branca, compacta como porcelana. As pálpebras arregaladas, a pele crispada da cara, as sobrancelhas de repente revoltas, tudo isso, qualquer o pode verificar, é que se descompôs pela angústia. Num movimento rápido, o que estava a vista desapareceu atrás dos punhos fechados do homem, como se ele ainda quisesse reter no interior do cérebro a última imagem recolhida, uma luz vermelha, redonda, num semáforo. Estou cego, estou cego, repetia com desespero enquanto o ajudavam a sair do carro, e as lágrimas, rompendo, tornaram mais brilhantes os olhos que ele dizia estarem mortos"
Ensaio sobre a cegueira - José Saramago
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"O sol mostra-se num dos cantos superiores de rectângulo, o que se encontra a esquerda de quem olha, representando, o astro-rei, uma cabeça de homem donde jorram raios de aguda luz e sinuosas labaredas, tal qual rosa-dos-ventos indecisa sobre a direcção dos lugares para onde quer apontar, e essa cabeça tem um rosto que chora, crispado de uma dor que não remite, lançando pela boca aberta um grito que não poderemos ouvir, pois nenhuma dessas coisas é real, o que temos diante de nós é papel e tinta, mais nada."
O Evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago
Ensaio sobre a cegueira - José Saramago
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"O sol mostra-se num dos cantos superiores de rectângulo, o que se encontra a esquerda de quem olha, representando, o astro-rei, uma cabeça de homem donde jorram raios de aguda luz e sinuosas labaredas, tal qual rosa-dos-ventos indecisa sobre a direcção dos lugares para onde quer apontar, e essa cabeça tem um rosto que chora, crispado de uma dor que não remite, lançando pela boca aberta um grito que não poderemos ouvir, pois nenhuma dessas coisas é real, o que temos diante de nós é papel e tinta, mais nada."
O Evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Tudo a seu tempo.
Não me sinto mais no comando
e isso não importa.
Desisti de tentar manter o mundo sob meu julgo,
ficou claro que não é meu papel.
Só estou de passagem.
Agora eu sento na grama verde e só observo.
Vejo a vida se desenhando ao meu redor,
as peças se encaixando devagar,
as pessoas indo e vindo.
Às vezes, alguém senta do meu lado,
mas nunca fica muito tempo.
Cada um deve seguir seu próprio caminho.
Não sei o que me espera,
mas parei de me preocupar.
Tudo tem um momento certo
e não sou eu quem decido.
Noto que os raios do sol me tocam
e olho pra cima quase na mesma hora.
Vejo os pássaros passarem rápido pelo céu azul profundo.
Um sorriso passeia pelos meus lábios
e nessa hora tenho certeza:
calma vem pros que tem fé.
Só um tolo vive na pressa de chegar.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
re-começo.
É isso.
Recomeçar.
Mas dessa vez não sou a mesma.
Não hei de procurar misericórdia entre erros.
Não vou me culpar,
ou sentir pena de mim.
Não, já chega.
Este é o tempo de buscar acerto,
de seguir firme,
de mergulhar em segurança.
Sei agora do que preciso.
Ele decidiu que era a hora de me mostrar o caminho.
Sempre tive medo e Ele sabe.
Por isso segurou na minha mão naquela hora.
Fui pra casa pelo caminho mais longo,
ainda estava cansada quando entrei pela porta.
Sentei na cama sozinha e ouvi um sussurro.
"calma".
Eu estou calma.
Juro.
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